Cresci com boa gente a falar-me dos Doors ou dos Led Zepplin. Tive essa sorte. Com efeito sofri os meus desvios, pois nem uns nem outros me fizeram morrer de amor. Obviamente fui descobrindo coisas antigas que me preenchiam mais o prazer de ouvir música. E, dessa época, antes até, os Velvet Underground são a minha grande referência. Para além da aliança com o artista plástico, Andy Warhol, na famosa Factory, os Velvet ainda hoje soam com muita frescura, como se tivessem gravado ontem. Pela primeira vez introduziam elementos como a distorção das guitarras nas canções, assim como traços pop com a incontornável beleza da voz de Nico, uma modelo que sabia cantar, e acabou a vida numa queda num passeio de bicicleta. Mas esta frescura, jamais repetida mas muito marcante para gerações de músicos e amantes de música, não aconteceu por acaso. Havia ali mais ingredientes, como a formação clássica de John Cale (que a solo nos deu uma carreira brilhante que ainda dura) ou a formação rock de Lou Re...
Um percurso em defesa da racionalidade e do humanismo