Um dos problemas mais complexos que podemos enfrentar ao nível filosófico e científico é o do processo de formação de crenças. Não de crenças no sentido comum de crença religiosa (embora também envolva estas, mas não estritamente), mas no sentido epistémico (enquanto disposição mental que envolve um sentido proposicional – Ver aqui para mais especificações). Vamos então criar uma experiência de pensamento (uma técnica da filosofia para testar teorias). Vamos imaginar que temos um supercomputador que é capaz de avaliar com rigor se não mentimos acerca das nossas crenças. Assim, se alguém mentisse afirmando que é Benfiquista quando acredita que o Sporting é o seu clube do coração, essa máquina daria um alerta de anomalia nas crenças. Isto é, a máquina avaliaria a convicção com que temos as nossas crenças. Vamos também supor que queremos testar se determinadas motivações alteram as nossas crenças. Dirigimo-nos então a um grupo de pessoas e propomos o seguinte desafio: Vamos oferecer-lhes até ao dia da sua morte uma boa vida, com uma boa casa, com piscina, um bom carro e um rendimento mensal fixo de 15 mil euros. Quem não desejaria? Mas pedimos uma contrapartida. As pessoas que aceitarem têm de formar a convicção de que a terra é plana e, claro, viver como se tal fosse uma verdade estabelecida sem o questionar. Obviamente a crença teria de ser bem vincada, caso contrário o computador perceberia que se está a mentir. O leitor se fosse sujeito a um desafio destes o que faria? Aceitaria viver com uma convicção falsa, passando a acreditar nela como verdadeira sem possibilidade de a questionar, mas a troco da tal vida bastante confortável? Resta pensar o custo que tem viver como se existisse um além ou uma suposta proteção divina suprema como fator compensatório de uma vida terrena. O que pensar?
E eis que nos preparamos para virar mais uma página no calendário anual da música. Podemos fazer listas de tudo, do ano, da década, do semestre. E eu faço mesmo listas de tudo. Mas o ano é um bom marco, talvez até porque a organização das nossas vidas se faz bastante bem de modo anual. E por isso confesso que começo a pensar nesta lista logo em Janeiro, isto para não deixar escapar algum disco para mim relevante, mas que se esqueceu por ter sido publicado nos primeiros meses do ano. Houve tempos em que eu publicava a lista dos melhores do ano. E agora? Acontece que é bastante injusto publicar uma lista dos melhores, até porque os discos que ouvi este ano podem não ser os melhores e muitos melhores terem-me passado ao lado. Por isso passei há uns anos a usar um critério: fazer a lista dos discos que de um modo ou de outro gostei e que foram os que mais companhia me fizeram, ou os que me soaram como mais ousados e criativos. Ocorre que ouço muitos discos que nem sequer aparecem na lista ...
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