Quando os telefones já eram inteligentes mas praticamente só davam para telefonar (eu sei, eu sei, hoje isto não soa nada a smartphone), eu não lhes ligava peva. Um pouco mais tarde, quando começaram a funcionar como máquinas fotográficas aceitáveis, gps, etc é que passei a dar-lhes alguma atenção. O meu primeiro smartphone a sério foi o pequeno HTC wildfire. Era pequeno e já com funcionalidades atraentes. Mas quando o comprei já tinha algum tempo de mercado, o que o tornou rapidamente absoleto nas minhas mãos. Os topos de gama eram e ainda são demasiado caros para mim, pelo menos até ao dia em que comprar um e depois não conseguir dar um passo para trás. Passados uns meses de ter comprado o wildfire a empresa espanhola BQ lançou o primeiro smartphone lowcost a chegar às lojas físicas em Portugal, um dispositivo com boas características e a um preço bastante apetecível para o que oferecia. Tive pelo menos dois BQ e a partir daí já tive alguns smartphones. Provavelmente o melhor de todos que tive até hoje foi o Lumia 950. O problema é que tinha Windows Mobile. Bem, o Windows Mobile até nem era o problema maior. O problema maior é que não existe mercado de aplicações para Windows. Melhor, o mercado é escasso. Mas o Lumia tinha uma lente para fotos da Carl Zeiss fantástica e um ecrã maravilhoso que implicava o senão da bateria descarregar rápido demais ainda que tivesse um sistema de carregamento ultra rápido mesmo para os dias de hoje (o Lumia 950 é de 2015). Este sim foi um verdadeiro topo de gama, se bem que quando o comprei já não era um topo de gama. Hoje em dia sou proprietário de um Iphone 7 e de um Huawei Mate 20 Lite. Migrei no início de 2018 para o Iphone, nas não resisti às tentações do Android. O que menos faço com os meus dois dispositivos é telefonar. Andam sempre comigo, mas tornam-se completamente indispensáveis quando viajo. Mesmo havendo por aí opções mais caras bem melhores, eles são as minhas máquinas de fotografias. São também onde compro viagens de avião, de comboio, bilhetes de entrada em espetáculos, o meu tradutor quando dele preciso, o meu GPS quando estou meio perdido numa cidade, o meu guia de caminhadas e desporto, onde leio jornais (mas ainda não dispenso de todo os jornais físicos, apenas pelo prazer do folhear), a minha musicbox (spotify é obrigatório), o meu despertador, as minhas lojas de compras, a minha carteira de cartões, a minha agenda, os meus lembretes, quando quero chamar um uber, o meu Banco, a minha carteira para pagar compras, a minha TV de viagem, onde ocasionalmente jogo uma sueca entre algumas outras (não são poucas) tarefas tanto de trabalho como de lazer. Na verdade, os meus smartphones não são bem smartphones mas antes pequenos computadores de bolso que me facilitam em muitas coisas da minha vida. E ainda assim há alguns momentos da minha vida em que tomo a decisão de estar sem eles (quando estou a ler, com a família ou amigos, por exemplo). Até gostava de ter um Iphone mais potente e provavelmente um Huawei melhor (O Mate Pro, por exemplo), mas os que tenho estão de acordo com o que considero o meu limite de investimento. Não me queixo. São opções. E na verdade a vida já não seria bem a mesma coisa sem eles para o melhor e para o pior.
1. Como chegamos hoje à música Há já alguns anos que os “discos do ano” deixaram de ser, necessariamente, os melhores discos do ano. Isso deve-se às novas formas de descoberta musical. Antes do streaming e da internet massificada, ouvia-se o que cabia numa casa comum de referências: a rádio, alguns jornalistas, amigos próximos. Havia filtros claros. Hoje o filtro é o algoritmo. E, embora nada tenha contra tecnologia, a verdade é que o algoritmo nunca acertou comigo. Já passei pelo Tidal, Spotify e, mais recentemente, Apple Music. Nenhum deles me levou aos discos que realmente acabei por mais apreciar. Continuo a chegar à música através de pesquisa intensa — por vezes quase desesperada — e graças a algumas amizades que resistem nesta troca de referências, como resistem ainda o Ípsilon e, sobretudo, a ultra-resiliente Wire. Este preâmbulo importa porque, como acontece todos os anos, no início de 2026 descobrirei excelentes discos de 2025 que ficaram de fora. O que vem a seguir é simplesm...

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