Uma das coisas mais estúpidas que conheci nas escolas e universidades é a divisão de departamentos. Nas escolas é comum a divisão entre ciências exatas e ciências humanas. Ora isto sugere que há ciências que são humanas e outras não são humanas (devem ser ciência feita pelos peixes para os peixes) e as que são humanas não são exatas, são, diria, inexactas. Ora se o senso comum pouco compreende do mecanismo das ciências o mesmo não seria de esperar dos lugares onde ela mais se divulga, as escolas. E este erro (e outros) permanece alegremente sem qualquer tentativa de correção.
1. Como chegamos hoje à música Há já alguns anos que os “discos do ano” deixaram de ser, necessariamente, os melhores discos do ano. Isso deve-se às novas formas de descoberta musical. Antes do streaming e da internet massificada, ouvia-se o que cabia numa casa comum de referências: a rádio, alguns jornalistas, amigos próximos. Havia filtros claros. Hoje o filtro é o algoritmo. E, embora nada tenha contra tecnologia, a verdade é que o algoritmo nunca acertou comigo. Já passei pelo Tidal, Spotify e, mais recentemente, Apple Music. Nenhum deles me levou aos discos que realmente acabei por mais apreciar. Continuo a chegar à música através de pesquisa intensa — por vezes quase desesperada — e graças a algumas amizades que resistem nesta troca de referências, como resistem ainda o Ípsilon e, sobretudo, a ultra-resiliente Wire. Este preâmbulo importa porque, como acontece todos os anos, no início de 2026 descobrirei excelentes discos de 2025 que ficaram de fora. O que vem a seguir é simplesm...
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