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Mensagens

Steven Pinker

Tenho andado um pouco arredado desta paragem, mas também não existe aqui qualquer obediência contratual ou compromisso de honra. Com efeito e antes que o ano termine (nessa altura provavelmente regressarei com as habituais listas dos best of), registo a edição portuguesa do novo livro de Steven Pinker. Isto é especial para este blogue já que o que o inspirou foi precisamente um dos livros de Pinker, O Iluminismo Agora. Uma boa notícia, portanto. Até breve.   Mais informações acerca do livro AQUI

Afinal o fim de tudo não é o fim de nada

Anúncios como o fim da filosofia, o fim da história ou o fim do rock e o fim de sei lá o quê são intelectualmente eróticos e talvez por isso, não sei bem, façam muito sucesso. O fim do rock vendeu muitos jornais. Houve um tempo, há uma década mais ou menos, em que era muito raro ler um jornal musical que não anunciasse o fim do rock. Na verdade o rock já ofereceu tanta coisa boa que mesmo que chegasse ao fim ainda teria longa vida até ser todo enciclopedicamente tratado. Mas se há fim que a mim nunca me pareceu fim algum é o do rock. Nunca me preocupei muito com esse fim. Claro que o que aqui digo não tem a pretensão nem de crítica jornalística nem análise filosófica. É apenas a minha busca pessoal que por vezes é mais coerente e noutras nem tanto. Mas há anos que ouço rock e há anos que o redescubro. Se há uns dois anos andava muito feliz com as minhas descobertas de discos fabulosos como os dos Fountaines DC, Muder Capital ou Idles, este ano sou surpreendido com três bombas rock. Pod...

Quando Sísifo vai à escola

Em várias passagens dos diálogos de Platão, Sócrates parece indicar que a opinião é assim como que meio caminho entre a ignorância e o saber. Meio caminho porque lhe falta algo que no saber não falta e que, claro, a ignorância não tem. Estou a falar da justificação. É assim que eu posso ter a opinião (crença) que a terra está em movimento sem qualquer justificação e acertar em cheio sem que tal constitua conhecimento. É assim talvez que muitos alunos respondem bem a testes sem saber muito bem a matéria, pois nunca pensaram nela, nem a sabem justificar. Ou seja, podem ainda assim estar na ignorância e serem bons alunos. É que, se não erro a interpretar as palavras de Sócrates, saber implica justificar. E justificar implica uma série de outros conhecimentos que a mera crença (opinião) não exige. Mas é curioso observar como é que o ensino da era capitalista privilegia tanto este meio caminho entre a ignorância e o saber, exatamente porque a escola está transformada num mecanismo de acesso...

Para evitar a treta

  Há muitas razões para que a teoria da treta tenha amplo espaço público e uma boa disseminação. A teoria da treta é antiga, não nasceu com a geração da comunicação. E sempre se difundiu bem. A diferença é que hoje em dia aparentemente o saber e o conhecimento está acessível a todas as pessoas, mas obviamente sem os filtros da teoria da treta que são muitíssimo mais apelativos e fortes. E também é verdade que hoje, mais que no passado, mais pessoas estão informadas. Portanto, apesar de tudo, no que toca à crença irracional, este ainda é, dizem os dados*1, o melhor de todos os tempos possível. Mas vou aqui listar alguma das razões para a fama da teoria da treta:   1º Dá menos trabalho acreditar na treta, pois não exige grande esforço intelectual 2º A treta é uma resposta direta das nossas intuições (a ciência, por exemplo, é muitas das vezes contraintuitiva, tal como a filosofia) 3º A treta promete a solução mágica que o conhecimento racional e aturado não promete.   ...

Os discos de 2020

Normalmente as minhas listas não tabelam os discos com uma ordem de prioridade. Apenas fazem o apanhado do que ouvi num determinado ano e é irrelevante quem aparece em primeiro e em último. Bem, em 2019 não foi assim. Destaquei com clareza   Dogrel , o excelente disco estreia dos irlandeses Fountains D C. ficou marcado o regresso dos irlandeses para 2020 e esperava eu que iria logo destacar o disco em primeiro lugar, tal como aconteceu com o seu antecessor. Mas 2020 haveria de nos trazer muitas surpresas. E nos discos que ouvi não foi muito diferente. Tudo porque os ingleses Idles lançaram o novo disco. A sua estreia aconteceu em 2017 e se nesse ano,   butalism   não ficou em primeiro na minha lista, teria andado lá bem no topo. Mas   Joy as na act of resistence , o disco de 2018, apesar de bom, não foi aquilo que vi no primeiro. Um disco mediano apenas. Segue-se que sabendo que os Idles preparavam um disco novo para ser lançado em 2020 não foi, com efeito, com entus...